Arquivo de Novembro de 2008

De um ninho de cobra para uma macieira

Você teria medo de tocar estas maçãs, interpretando-as, sempre, como ninho de cobras?

Quem nunca teve uma má experiência diante de alguma situação, levante a mão, por favor

bem, claro, não vou ver você levantando a mão, até porque não tenho como vê-lo ai do outro lado, lendo este artigo… mas, sei que você não irá levantar sua mão, exceto, se você for um bebê super dotado, que saiba ler e navegar na internet, considerando que o seu trabalho de parto foi normal e você não se lembre de nenhum inconveniente ocorrido dentro da enfermaria ou até o presente momento. Mas, isso é temporário, os bebês, ao crescerem, também encaram problemas.

Logo, você já teve ter passado por uma má experiência… o que não é algo ruim, ao contrário serve para você se preparar para maiores desafios e até mesmo saber encarar o problema quando este retornar.

Mas, deixe-me colocar algo sobre este assunto: Nem sempre, uma má experiência passada serve para nos bloquear totalmente de repetir o ATO QUE NOS FEZ PASSAR POR ELA.

Suponha a seguinte situação:
1 - Você colocou a mão em um ninho de cobra
2 - Uma cobra o picou
3 - você foi hospitalizado e logo ficou curado

pergunta-se:
Que atitude você terá para com ninhos de cobra?
resposta mais comum: manter distância.

Ok?

Sim e Não!

Sim, pois você realmente irá evitar ser tão desatencioso ao ponto de colocar a mãe em um ninho de cobra.
e

Não,
pois, nem todos os buracos são ninhos de cobra… assim, você poderá perder grandes oportunidades de caçar deliciosos tatus, por confundir que o buraco de tatu é um buraco de cobra.

Bem, vamos, agora, falar sobre um experiência mais próxima de muitos de nós que, talvez, nunca precisemos colocar a mão em buracos duvidosos no meio do mato: Relacionamento interpessoal.

As pessoas são sorridentes para com você, e, você, retribui: sorri também. Isso é bom.
Porém, se você pretende se relacionar com esta pessoa, ou seja, andar ao lado dela, seja em um relacionamento profissional como equipe de trabalho, relacionamento ministerial na igreja, relacionamento matriomonial, dentre outros…. fique certo: picadas de cobra surgirão.
É nesse momento que provamos o nosso valor com relação ao amor ao próximo. Jesus disse para amarmos até mesmo os nossos inimigos. O momento em que somos feridos por alguém próximo de nós serve como um ótimo teste para mostramos o quanto acreditamos naquela pessoa, no caso de um relacionamento ‘um para um’ (casais, pai e filho, patrão e chefe, etc) ou naquele grupo de pessoas, no caso de um relacionamento ‘um para muitos’ (professor e alunos, pastor e congregação, etc).

Acreditar no patrão é se arriscar a colocar mão no ninho outra vez, crendo que, já não existe a cobra nele, mas, sim, um Gordo Tatu, ou tenro pé de maçã. O chefe pode também ter aprendido com a situação.

Acreditar no colega de trabalho é acreditar que aquele ninho foi soterrado e em seu lugar está nascendo uma pequena macieira, que precisa de cuidados para crescer e produzir deliciosos frutos.

O nosso próximo, assim como nós, não é perfeito e também procurará melhorar com o tempo… é preciso acreditar, presenteá-lo com livros e CDs com a mensagem que queremos passar é uma ótima forma de agir para mudar o seu estado de ninho de cobra para ramo de pé de maçã!

"Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;" (Lucas 6 : 27)

Acreditar nos alunos, é experimentar criar mais de uma sala de fórum de discussão, mesmo sabendo que muitos irão deixar mensagens que não tem nada relacionado com a disciplina, apenas para desgastar o professor, acreditar, nos alunos é, nesse caso, não deixar de repreender a atitude da mensagem mal direcionada, mas manter a postura do processo… os alunos também irão aprender e, se virem que o professor está disposto a pagar um preço para melhorar, também procurarão mudar. Ele são alunos, ou seja, estão aprendendo e, simplesmente, não somente a disciplina ministrada naquele momento mas, aprendendo como se portar, seja em uma sala de jantar, em uma reunião formal, ou em um fórum de discussão (netiqueta). Ensinar é muito mais do que procurar apontar falhas e dar soluções: é se relacionar, influenciar, elogiar, acreditar!

Acreditar na esposa, namorada é entender que a pessoa tem falhas mas, com o tempo, o caminhar junto, as boas conversas, as risadas, o carinho, os presentes, essas arestas serão aparadas e atitudes que julgávamos imutáveis, irão desaparecer, simplesmente por causa do nosso PROTESTO DE AMOR.

Entendo que a opção “Se fechar” e nunca mais repetir a atitude perante aquele que o feriu possa ser, curto prazo aquela que dê um tipo de resultado rápido nos incentivando a sermos cada vez mais racionais e lógicos, voltados para nossa defesa, independente do crescimento do próximo.

Mas, também entendo, e creio com esperança e fé de quem segue a Cristo, aquele que pediu para Deus perdoar aqueles que o crucificavam (incluindo eu e você), que, perdoar, acreditar que a situação vai melhorar, externar isso e tentar mais uma vez, é uma atitude que, a médio e longo prazo, gerarão frutos… e frutos dignos de arrependimento. Tornamo-nos pais e não apenas mestres; companheiros, e não apenas maridos, homens da casa; conselheiros e não apontadores de erros. Assim, aprendemos a ser mais amigos e sorridentes, por não reter o perdão, mas liberá-lo na caminhada com Jesus.

Jesus nos deu o mandamento, muito mais que uma dica: amar!

“Amar é o protesto” (Jars of Clay)

Pensar somente em si próprio

Individualismo… que palavrinha…. com sete sílabas.

A sociedade urbanizada, hoje, caminha para um ponto incerto mas, vejo que seja para um rumo onde possa haver paz, segurança e prazer… sem assaltos, comida quente e saborosa, duchas quentes, hidromassagem, boa música em qualquer hora e em qualquer lugar…

in.di.vi.du.a.lis.mo
s. m. Teoria que faz prevalecer o direito individual sobre o coletivo.

O maior problema de se buscar tais coisas é: em cima de quantas pessoas eu vou ter de pisar para alcançar o que quero?

Para bandidos, vendedores de cocaína, exploradores de meretrício, madeireiros clandestinos, etc… não importa o número de pessoas que vão morrer fisicamente, emocionalmente, ou socialmente, por causa de seus atos. o que importa é vender e ganhar dinheiro… para fazer “não se sabe o que” com tal dinheiro.

Para o cidadão, dito comum, isso também ocorre… talvez não em um nível que possa ser visto como escândalo pela mídia mas, o suficiente para entristecer o coração de Deus. Quando olha para a mulher do próximo, quando cobiça e inveja o que não é seu, quando fala mal pelas costas, quando odeia e é odiado, sem achar que essa cadeia de perdição poderá ser quebrada a partir de sua própria iniciativa.

Deus sabe que o homem é egoísta… eu, e qualquer um, antes de querer andar ao lado de Cristo, imitando-o no proceder, tomados por uma nova natureza éramos amantes de nós mesmos, fascinados pelo dinheiro, egoístas por natureza:

"Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros." (Paulo, em Tito 3 : 3)

Sociedade individualista? Mercenária? eu não me assusto… posso ficar chateado com tantas notícias ruins que ouço, sabendo que são decorrência do amor ao dinheiro, do individualismo, mas, essa chateação me leva para uma posição de luta, em nome de Jesus, a começar em minha própria postura, diante das posições, aparentemente imutáveis de um mundo que jaz em sentimentos malignos, disfarçados sob uma capa de rótulo “relatividade”

" E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" [Jesus, em Lucas 18 : 7 e 8]

Encontrará ao menos a minha fé, se eu ainda estiver aqui.
morrei para mim mesmo.
Não assumirei atitudes egoísticas, mesmo que lançadas como tentativa de influência vindas de pessoas próximas a mim.
Você é tudo que eu tenho.
Tu me salvaste, a quem temerei?
Pensam que sou assim, manso, talvez ingênuo, de mim mesmo, e atacam a mim…
mas, é o Senhor quem me fez assim, simples como as pombas.
Se, por causa disso terei de sofrer,
sofrerei, como preço de servir àquele que necessita: ao doente, ao preso, ao órfão, à viúva.
quero ter tempo para eles, pois sei que ter tempo para eles é ter tempo para ti, OH! Deus!

Quem quiser seguir a Jesus, tem que MORRER!
NEGUE-SE A SI MESMO, TOME A CADA DIA SUA CRUZ E SIGA-0!

"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." (Jesus, em Lucas 9 : 23)

Individualismo… que palavrinha…. com sete sílabas. porém, são estas sete sílabas, unidas, trabalhando em equipe, cadenciadas, sem ter inveja uma das outras, que formam mais uma palavra de nosso vocabulário. Palavra esta que deve denotar algo que devemos aborrecer sempre

O MUNDO ESTÁ CARENTE DE “NÃOS”

(autor: Karina dos Santos Cabral, adaptado)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: “ela não quis falar comigo”. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.
Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Dizer sim é mais fácil, é mais cômodo… menos responsável…Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem, “não posso traumatizar meu filho”. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Se entregam à prostituição. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.

Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento.

Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.