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O mundo está cheio de garotos que se barbeiam

Garoto que se barbeia

por Mark Driscoll

“Historicamente, um rapaz passava por duas fases na vida: menino, depois homem”
A transição da criança para adulto estava relacionada com cinco variáveis sociais que aconteciam quase sempre simultaneamente ou em um período curto de tempo: Deixar a casa dos pais (Gênesis 2.24); terminar os estudos (ou treinamento vocacional); começar um trabalho que definiria a carreira, não apenas um temporário; conhecer uma mulher, amá-la, honrá-la, cortejá-la e então casar-se com ela; ter filhos com ela.
Mas veja o que aconteceu. Ao invés de sair da infância para a vida adulta por meio dessa sucessão de transições sociológicas, nós criamos algo chamado adolescência. É um terceiro estágio, entre o menino e o homem. Não sabemos como chamá-los, então chamamos de garotos. São os garotos que se barbeiam.

Hoje, a adolescência começa por volta dos doze anos e continua indefinidamente. Não há um fim claro para ela. O problema com a adolescência é que os garotos não sabem quando finalmente crescerão para se tornarem adultos, e não há pressão sobre eles para que isso aconteça.

É quando você faz 16 e pode dirigir? Ou 18, e pode votar e ingressar no exército? Ou 21, quando você pode beber? ¹. É quando você sai da faculdade após estudar lá por 7 ou 8 anos? É quando você se casa? Quando tem filhos? Quando compra um imóvel? Ninguém sabe. Assim, sobra uma adolescência indefinida e uma epidemia da Síndrome de Peter Pan onde homens querem ser meninos para sempre.

Para onde você vai? Vá a Escritura. Em 1 Coríntios 11.7, Paul diz que um homem é “imagem e glória de Deus”. Ele deve refletir a verdade, a bondade, o amor e a misericórdia de Jesus, seu Deus e Salvador. Ele é a glória de Deus. E eu ainda tenho esperança nesses garotos. Quando vejo um garoto, não vejo um viciado em pornografia, rato de internet, jogador de World of Warcraft², um daqueles garotos que se junta com mais outros 20 garotos e pagam 5 reais por mês pelo aluguel de um apartamento e comem pizza o dia inteiro e chama essa situação de bar mitzvah³.

Eu tenho fé nesses garotos porque eles são a glória de Deus. Eles são a glória de Deus. Obviamente, há alguma coisa a ser feita, com certeza. Mas vocês homens são a glória de Deus. E Deus quer que sua glória brilhe através de vocês. Deus quer que seu reino seja feito visível através de vocês. Deus quer que vocês sejam seus filhos. Deus quer que vocês, pelo poder do Espírito Santo, sigam o exemplo de Jesus, e atentem para o exemplo de João.

Não me importo se você comprar uma picape, ou se joga videogame e arrasa na guitarra. Eu realmente não me importo. O problema é quando essas coisas prevalecem, predominam e são preeminentes na sua vida. Alguns garotos podem vir argumentar comigo e dizer “nada disso é pecado”. Não, mas às vezes é idiota. É bobo. Totalmente bobo. Você é despedido porque perdia tempo no trabalho tentado subir de nível para se tornar líder do clã4. Isso é bobeira. Totalmente bobo. Você trabalha apenas meio período para poder tocar mais guitarra. Isso é bobeira. Totalmente bobo. Você gasta todo seu dinheiro em um carro novo, brinquedos, eletrônicos, apostas ou bolão do campeonato de futebol. Bobeira. Alguns vão dizer “nada disos é pecado”. Comer a grama que você deveria aparar também não é. É só idiota. E também não vai te levar a lugar algum. Há um monte de coisas que garotos cristãos fazem que não é errado, é só idiota.

Vocês são a glória de Deus. O que significa ser um homem. João é um grande exemplo. Ele não gastou sua juventude fazendo download de pornografia, estourando a conta do cartão de crédito, passando sete anos na faculdade, tentando ser o rei das apostas de futebol ou basquete, determinado a beber cada vez mais latas de cerveja no happy hour e conquistar mais mulheres que todos os outros garotos para mostrar que é um homem de verdade. Isso não tem nada de homem. Só de garoto que se barbeia.

João nos mostra o que é um homem de verdade: ele era cheio do Espírito. Ele humildemente prepara o caminho para Jesus. Um evangelista que segue a carreira de levar outras pessoas a Jesus. Um homem que sempre dá mais do que recebe. Um produtor, não um consumidor.

Homens, vocês devem ser criadores e cultivadores. Se vocês querem ser imagem de Deus, seu Deus é criador e cultivador. Você cria um casamento e o cultiva com sua esposa. Você cria uma criança com ela, e a cultiva. Você cria o legado de uma nova família que durará gerações e o cultiva. Você cria uma carreira e a cultiva. Você cria um ministério e o cultiva. Você deseja ser um homem? Seja um criador e cultivador. Seja um produtor, não um consumidor. Seja um doador, não um recebedor. Traga vida, não morte.

Esse não é o caminho mais fácil. É o caminho que mais glorifica a Deus. Trilhe esse caminho, como João trilhou.

¹ Regras dos Estados Unidos
² Jogo de computador jogado via internet
³ Ritual Judaico tradicional de transição
4 Situações do já citado World of Warcraft
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com

Fonte: Iprodigo
e http://www.sepal.org.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=3412:o-mundo-esta-cheio-de-garotos-que-se-barbeiam&catid=45:gente&Itemid=477

Ver a Glória

(Mário Fernandez)

“Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e
viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita,”
(Atos 7:55).

Muitas pessoas, especialmente nas igrejas, falam que querem
ver a glória de Deus. Tem músicas que dizem isso, tem
pregadores que incentivam isso. Só que o detalhe que a Bíblia
mostra e nem todo mundo percebe é que isso tem um preço.
No caso específico de Estêvão, narrado neste versículo, ele só
viu a glória de Deus quando foi apedrejado. Será que nós
estamos dispostos a ser apedrejados? Nem que não seja
literalmente?

Uma boa parte das pessoas já fica deprimida só de enfrentar
conflitos de relacionamentos, sejam brigas conjugais,
perseguição no trabalho, coisas assim. Só fico imaginando ser
apedrejado. Não precisa ser literalmente, estamos no século
XXI. Mesmo que seja apenas emocionalmente, apenas o nosso
ego sendo apedrejado.

Precisamos ter em mente, e com muita clareza, que o nosso
Deus tem seus próprios métodos para fazer as coisas e isso
inclui a expressão de Sua glória. Ele se mostrou em glória sem
apedrejamento, é verdade, mas nunca sem um preço ser pago.
Analise quando Moisés viu a glória de Deus (no deserto), ou
Daniel (na cova), ou os amigos de Daniel (na fornalha), ou
qualquer outro.

Meu querido leitor, é preciso entender e aceitar que o Senhor é
dono da glória e só pode vê-la quem estiver disposto a
perder/dar sua vida para isso. Gente viva não pode ver a glória
de Deus. Jesus foi para cruz em nosso lugar, mas nosso ego
precisa morrer, é isso que significa negar-se a si mesmo e tomar
sua cruz a cada dia. É preciso morrer para o mundo. É preciso
considerar a morte como lucro e a vida como Cristo.

Enquanto tentarmos viver neste mundo como se fôssemos ficar
nele para sempre, não veremos a glória de Deus e isso vai
continuar sendo expediente para poucos. Os poucos que não
dão valor na própria vida se for para perdê-la pelo Senhor. E
digo mais: estes serão justamente os que viverão…

“Senhor, a mensagem da cruz precisa ser entendida à luz de um
preço sendo pago. Obrigado pela cruz. Obrigado porque posso
ver a Tua glória. Ensina-me e fortalece-me para que eu aprenda
a caminhar contigo.”

(Mário Fernandez)

SÚPLICA DO PASTOR HOJE E SEMPRE

SÚPLICA DO PASTOR HOJE E SEMPRE

Fonte: FERREIRA, Ebenézer Soares. MANUAL DA IGREJA E DO OBREIRO. JUERP. 1981
Nesta noite, ó Senhor, sou consagrado ao ministério da tua Palavra e que tremendo encargo recebo em meus ombros; não fosse minha absoluta certeza de que tu me chamaste e não sei onde iria encontrar coragem para tanto; mas, ó Senhor, tu, que fechaste tão positivamente, diante de mim, todas as portas a que fui bater e, não olhando minha indignidade, minhas quedas e meus tropeços, me abriste bem larga e acolhedora a porta do ministério, ajuda-me a prosseguir neste caminho, dignificando sem cessar o teu nome e honrando minha vocação.

Temeroso é o meu trabalho: pastorear teu povo, com tão pouca experiência da vida, conduzir as ovelhas de meu Mestre, com tão poucas forças, quem ousaria tanto?

Anima-me, todavia, a certeza de que tu, ó Senhor, que me escolhes­te, serás meu amparo e fortaleza, e, ao dar agora o meu primeiro passo na estrada nova, permite que o dê com firmeza e decisão;

Ajuda-me, ó Senhor, porque já vislumbro as vezes em que minha visão se obnubilará ante a poeira da jornada e de ti espero que me alimparás os olhos;

Esclarece-me, Senhor, porque sou jovem, cheio de preconceitos e de idéias falsas, trabalhando pelo orgulho e pela vaidade; concede que esses inimigos, ao me assaltarem, não me vençam e que eu afaste por completo o desejo de dar na vista e de conquistar posições, contentan­do-me com o lugar que tu me deres e procurando discernir e cumprir a tua vontade;

Auxilia-me a adiantar-me no saber, mas livra-me da presunção e que esteja sempre pronto a reconhecer que, apesar de meus cursos e dos livros que ler, os outros podem muito bem ser mais sábios do que eu; preserva-me desse terrível corrosivo que é a inveja e que eu saiba admirar nobremente a todos os que trabalharem bem, jamais descendo à baixeza de diminuí-los com comentários tendenciosos, só porque trabalham melhor do que eu;

Dá-me a modéstia, que tão bem quadra num enviado teu, e protege-­me contra os triunfos tentadores, para que não desenvolvam em mim enfisemas intelectuais, que a tantos têm arruinado, principiando por ensoberbecê-los;

Ensina-me a ser manso e bom, a moderar minhas violências e intransigências, mas dá-me um caráter que não admita contemporizações com o mal em qualquer tempo e em quaisquer circunstâncias.

Faz-me pastor eficiente, isto é, fiel em todos os meus encargos, em quem o teu povo possa confiar, que seja ativo e empreendedor, sem que, entretanto, procure pôr tudo abaixo com a pretensão de poder arranjar sucedâneos melhores;

Que nunca transfira as responsabilidades que me couberem para os ombros de terceiros, culpando-os de meus erros e fracassos e com isso dando-me por justificado, mas que saiba resistir impavidamente às conseqüências de meus erros, não procurando me apegar a ninguém mais senão a ti mesmo, para que me perdoes e reanimes;

Que seja capaz, após algum fracasso, de começar de novo, quantas vezes for preciso, um trabalho feito e que isso faça de espírito sereno e alma animosa;

Que saiba ser econômico, sem ser avaro, e caridoso, sem ser dissipador, procurando desenvolver cada vez mais na minha igreja a obra da beneficência;

Que realize, no quanto for possível, um ideal de perfeição em todo o trabalho feito, seja grande ou pequeno, nada abandonando inacabado ou mal cuidado;

Permite que eu me canse no teu serviço, mas fortalece-me para que nunca a fadiga me domine de tal forma que me impeça de executar um trabalho necessário, tal como uma visita, uma pregação ou um auxílio;

Concede que o meu conforto nunca venha se levantar como justifi­cativa para que me recuse a um serviço, mas que saiba deixar-me incomodar sem perder meu sorriso e saiba sacrificar refeições e des­cansos, enjeitar divertimentos e varar noites, sem queixas, nem lamen­tações, mas cada vez mais otimista e mais satisfeito com meu minis­tério;

Consente que possa fazer todos os trabalhos com a mesma consagra­ção, sem que por isso aguarde agradecimentos ou louvores, quase sempre maus conselheiros;

Ensina-me o meio de obter a dedicação do bom samaritano a qualquer hora, em qualquer lugar e para quem quer que seja.

Ajuda-me, ó Senhor, a dar valor à minha palavra, embora a com­prometa com uma criança, e que seja sempre pura e nobre e sincera, quer conversando, quer pregando, quer orando; livra-me do bombasticismo rebuscado e insincero;

Que abomine os argumentos tortuosos, próprios para embair os outros e esconder meu pensamento verdadeiro;

Que saiba pregar meus sermões extremos de palavras ocas, não aspirando galas literárias, mas, sim, a tua aprovação;

Que, ao falar, procure alguma coisa e não faça arabescos na água que não satisfazem, nem confortam o ouvinte desejoso de sólido alimento espiritual;

Dá-me ânimo para fugir às discussões tão procuradas por quem é moço, nas quais se gastam energias que devem ser concentradas para melhores fins;

Concede-me a palavra boa para consolar os enfermos e os tristes, para reerguer os desanimados e os desviados, para convencer os divergentes e desinteressados, para me alegrar com os otimistas e incentivar os que trabalham;

Que sempre me expresse com límpida franqueza, sem que, no entanto, jamais confunda franqueza com insolência ou incivilidade e nunca me valha de indiretas covardes para ferir àqueles de quem discordo;

Livra-me de julgamentos temerários e fundamentados em bases pou­co seguras, como informações de terceiros, intrigas ou atitudes mal interpretadas;

Que eu saiba considerar a leitura de tua Palavra a melhor das leituras, a mais freqüente e a mais longamente meditada e que minha doutrina seja sempre sólida, conhecendo de tal forma minha Bíblia que não deixe voltar vazio aquele que para mim apelar.

Recorda-me que devo respeitar e acatar sempre meus colegas de ministério e que jamais venha a ser apanhado na falta grave de contra eles levantar aleives ou veicular murmúrios;

Que eles tenham sempre de mim a maior consideração e confiança, porque, ó Senhor, no dia em que não houver confiança mútua entre os teus ministros, que será de tua Causa?

Se me reservas um papel de influência denominacional, que eu não me apresse a exercê-lo e me lembre de que não é preciso arrombar portas, antecipando-me à tua providência;

Mesmo que nunca venha a ter influência e que fique toda a vida adstrito apenas ao trabalho de minha igreja, recorda-me que isto já é por demais glorioso e que, portanto, dirija minha igreja com o mesmo zelo que dedicaria a qualquer outra obra aparentemente mais honrosa, e procure nela edificar um núcleo forte para a glória de teu nome e honra da Denominação;

Se nesta houver lutas, Senhor, que eu não siga outro partido senão o teu, que não tenha outra paixão, que não a tua verdade, que não ouça outra voz além da tua falando em minha consciência, que não haja discurso nem tumultos que me impeçam de ouvi-Ia a indicar claramente minha posição e que, a ela obedecendo, arraste todas as críticas, incompreensões e julgamentos depreciativos; mas, se possível, Senhor, afasta-me dessas questões e concede, antes, que concentre minhas energias na igreja que me deste, ali realizando um trabalho sólido, puro e produtivo;

Que ninguém, ó Senhor, de mim faça uso em proveito de seus interesses e que eu também nada faça confiado no apoio e defesa de terceiros; dá-me fortaleza de convicções para que não seja invertebrado em meus propósitos, sem consistência e sem perseverança, cata-vento que toda idéia nova faz girar;

Ao mesmo tempo, reveste-me de coragem humilde e nobre de voltar atrás e confessar meus erros, quando for preciso, sem temer as acusações de versatilidade e incoerência, que, talvez, contra mim se levantarem.

Dá-me a dignidade devida para nunca me postar incondicionalmente do lado mais forte, nem incondicionalmente do lado mais fraco, mas incondicionalmente, sim, do lado justo, tenha, embora, contra mim o mundo todo, inclusive minhas amizades mais caras;

Que nunca homem algum, por mais íntimo que seja, ou um partido, por mais forte que se diga, me dissuadam de fazer o que a tua vontade me ordenar;

Ajuda-me a ser igual no tratamento de todos com quem agir, falando aos grandes sem servilismo e aos pequenos sem altivez, a todos com a mesma deferência e a mesma simpatia.

Permite, ó Senhor, que jamais ninguém me chame de mercenário, ou então que, embora os homens me julguem mal, tu vejas que meu interesse único é exercer com fidelidade meu ministério e que ele é, para mim, a mais importante tarefa de minha vida;

Se, por acaso, for obrigado a “fazer tendas”, para me manter, abençoa-me em tal serviço secular, para que possa dar um testemunho que transforme o trabalho numa projeção de meu ministério;

Dá-me a sabedoria de evitar a freqüência de lugares onde um pastor nunca deveria pôr os pés, a fim de que ninguém me aponte como exemplo e justificação de desvios funestos;

Que, sabendo que sou observado pelos homens, para verem se me apanham em falta, tome isso em consideração, mas o faça sem hipocrisia, sendo igual homem na rua ao homem que for na igreja e no lar, não afivelando máscaras adaptadas a lugares e situações;

Que também em pensamento não seja dúbio e que, ao falar de teu evangelho, não tome uma atitude convencional e falsa, dogmatizando com idéias postiças; que minhas palavras não sejam desmentidas por meus atos;

Que meu pensamento seja sempre puro, de modo a poder transferi-lo e qualquer outro assunto para um sermão ou uma prece, sem necessidade de me altear de qualquer baixeza em que esteja devaneando comprazido;

Que não blasone de feitos e virtudes, mesmo perante os mais íntimos, dispondo de uma veste de pavão para uso caseiro, e me revestindo de modéstia apenas para uso externo;

Que, se por acaso for preterido num trabalho, saiba discernir nisso a tua vontade agindo e que não contenda, não me sinta ofendido pela preterição, nem dela viva falando amargurado ou queixoso;

Que, o quanto possível, mantenha meu corpo sadio e forte, pois é o templo do Espírito, mas lembrando-me sempre de que é piedade que para tudo é útil e que meus joelhos não cansem de se dobrar diante de ti e meus pés não se exaurem de caminhar no teu serviço;

Que eu saiba coibir meus impulsos e saiba ser, na justa medida, tolerante, sabendo exortar com simpatia e compreensão, de modo a ganhar, e não a afugentar os homens.

Dá-me Senhor uma companheira que seja de fato uma ajudadora em todo o meu trabalho, que tenha também espírito de sacrifício e não viva se embonecando como qualquer frívola mundana, nem preocupada com deleites outros que não os do lar e os de teu serviço; que seja piedosa e diligente, ajudando-me quando eu sentir muito grande o peso de minhas obrigações, animando-me quando vir diante de mim turvos horizontes, corrigindo-me, amorosa, quando minhas tendências, despertadas, me quiserem desviar do plano correto de conduta, caminhando comigo lado a lado, até o fim, para onde quer que me enviares, sem discutir e sem se rebelar;

Que tenha a compreensão necessária para me apontar erros de que me possa desviar e não me induza as concessões que me amolentem o espírito;

Que, dedicado e atencioso, humilde e cheio do desejo de servir, concorra para conquistar o meu povo e atrair almas para tua igreja;

Que não ande entremetido em intrigas e maledicências, nem faça questão de ser a mais bem vestido na igreja, a fim de que por causa disso eu não venha a ser censurado;

Que saiba servir e tenha caráter, despreocupado de mundanidades, mas comigo mantendo, até o dia em que me chamares ou a chamares, a mais completa união de vistas;

Que saiba comer comigo o pão das lágrimas e arrostar, decidido, o açoite da perseguição, sem que venha me lançar em rosto a culpa dessas coisas ou me atormentar com lágrimas e suspiros, em lugar de, bem unida a mim, enfrentar bravamente a vida de tal modo que diante das tempestades apareçamos ligados como se fôssemos um só.

Finalmente, Senhor, perdoa-me a insipiência, os trabalhos mal feitos e as mil inevitáveis omissões em que a minha mocidade me fará incorrer, e enrijece-me espiritualmente para que melhore todos os dias;

Que me conserve absolutamente honesto e puro, não tendo de que enrubescer, quando erguer a mão para abençoar, em teu nome, o rebanho que tu me confiares; que saiba não ser pela prática de todas essas coisas que irei ganhar o céu, pois este, Cristo, por seus méritos, tão-somente já ganhou para mim, mas que as faça porque almejo ser mordomo fiel, e porque, tendo sido regenerado, tornei-me árvore boa, que deve produzir bons frutos.

E mais e mais coisas tenho para te pedir, ó Senhor, e tu o sabes; a agitação desta hora em que sinto o glorioso e o difícil de minha investidura não me deixa lembrar de tudo. Mas tu sabes, Senhor, e tu me darás auxílio.

Fonte: FERREIRA, Ebenézer Soares. MANUAL DA IGREJA E DO OBREIRO. JUERP. 1981

Surpreendido pela esperança.



O que cremos sobre a vida APÓS a morte afeta diretamente o que cremos sobre a vida ANTES da morte

N.T. Wright.

NO PAINTBALL, NO VIOLENCE

paintball

Aqui no meu serviço, no TRE-TO, a pouco tempo, organizou-se um uma partida de paintball (simulação de guerra com armas que disparam bolinhas de tinta).
As discussões sobre a brincadeira se deram por email.
Eu optei por não participar do torneio, por não me sentir bem com a idéia. Apesar de ser tentado a participar, por causa da diversão que a simulação proporciona…

Qual a minha surpresa ao ver, por email, uma mensagem enviada (no dia 28 de outubro) por um dos colegas de trabalho, sobre a temática da indústria da violência. Percebi, após refletir na mensagem, que se tratava de uma resposta ao evento paintball que havia ocorrido.

Me senti atingido pelo texto, pois sei, que este tema me afeta também. Como muitas pessoas, fui criado em meio aos vídeo games e filmes de ação, e esse tipo de diversão “bélica” acaba sendo um fator de atração.

Sabem: Eu acho que eu deveria ser um dos que deveriam ter se posicionado contra mas, o máximo que consegui foi ser “agradável” e apenas me abster de participar…

Mas, fica ai o alerta, e o email que recebi. Serviu para mim. Espero que sirva para você.

VIOLÊNCIA NÃO É BRINQUEDO

Sinto muito pelo mundo ainda está como está… Sinto muito pelos sofredores de tantas dores… Que coisa pior pode existir? A violência!!! A morte negociada nas esquinas… As almas inocentes torturadas, com seus respectivos corpos… Não bastasse a corrupção, a desonestidade, a fome, as injustiças e outras mazelas de imperfeições humanas, ainda hoje a violência é apreciada!…

Por que tanta maldade? Por que é preciso ser violento? Por quê?! Acaso estamos hipnotizados?! Para nos sentirmos bem, necessitamos atirar em alguém?! Para vê-lo tombar?!… Que tipo de “bem” seria esse?!

Por todos os lugares e noticiários… Tal quadro mostra a que distância nos encontramos dos verdadeiros ensinamentos do Cristo. Que distância! E muitos querem mesmo continuar distantes… Vamos dar uma lidinha no Sermão da Montanha? Vamos?! Não precisa saber qual a minha ou sua religião, ou se temos religião, precisamos saber que a Justiça Divina existe… A justiça dos homens é muito falha! A Justiça Divina é Perfeita, não tarda e nem falha! Observe, reflita e veja (se tiver olhos para ver…). Precisamos saber que o verdadeiro Amor realmente existe, pois “o Reino de Deus está dentro de vós”…

Mas pelo visto a humanidade anda mesmo a passos lentos (será que anda?). A gente sabe o que há por dentro do homem, inclusive pelos frutos que nos deixa ver. A violência é um deles. Esse verme fétido que corrói a raça humana.

Não deveria ser mais o tempo de criticarmos a violência, muito menos nossos irmãos violentos. Não deveria ser mais o tempo de tentarmos mostrar o quão ela ainda é real neste mundo. Deveria ser o tempo de apenas exaltarmos a PAZ. Ah! que bela palavra, tão desprezada! Solitária, deixada de lado. Sim! A Paz que vem de dentro, como disse Buda… Cultivarmos a não-violência, como demonstrou Gandhi. É disto que estou falando.

Nosso ego luciférico não se interessa pela Paz. Ele não ver vantagem na Paz, no Amor… Nem com letra maiúscula, nem minúscula. Distorce o verdadeiro sentido das palavras… Zomba e ridiculariza… Parece que tudo dito sobre paz ficou perdido… Parece que não adiantou. Não! Adiantou sim! Pior seria se não tivessem tanto falado de Paz! Pior seria! Ó Senhor, obrigado! Porque senão, certamente, eu seria linchado agora…

A violência externa reflete a falta de paz interna de cada um. Ainda há tempo de parar com isso.

É preciso falar de paz para nossas crianças. Melhor ainda, antes de tudo, ensinar pelo nosso exemplo. Se adoramos filmes violentos, notícias de sangue e tudo o mais que relembra violência… então, infelizmente, é esse o legado que deixaremos para os nossos filhos e netos!…

Observe o tamanho da indústria da violência!… OBSERVE. Por favor, vamos deixar de colaborar para o crescimento dessa “indústria” nefasta! Paremos de ensinar pelo mau exemplo… Paremos de oferecer armas para nossos irmãos, para nossos filhos… Isto não é brinquedo. Pelo Amor de Deus!…

Raimundo Bandeira

Pensar somente em si próprio

Individualismo… que palavrinha…. com sete sílabas.

A sociedade urbanizada, hoje, caminha para um ponto incerto mas, vejo que seja para um rumo onde possa haver paz, segurança e prazer… sem assaltos, comida quente e saborosa, duchas quentes, hidromassagem, boa música em qualquer hora e em qualquer lugar…

in.di.vi.du.a.lis.mo
s. m. Teoria que faz prevalecer o direito individual sobre o coletivo.

O maior problema de se buscar tais coisas é: em cima de quantas pessoas eu vou ter de pisar para alcançar o que quero?

Para bandidos, vendedores de cocaína, exploradores de meretrício, madeireiros clandestinos, etc… não importa o número de pessoas que vão morrer fisicamente, emocionalmente, ou socialmente, por causa de seus atos. o que importa é vender e ganhar dinheiro… para fazer “não se sabe o que” com tal dinheiro.

Para o cidadão, dito comum, isso também ocorre… talvez não em um nível que possa ser visto como escândalo pela mídia mas, o suficiente para entristecer o coração de Deus. Quando olha para a mulher do próximo, quando cobiça e inveja o que não é seu, quando fala mal pelas costas, quando odeia e é odiado, sem achar que essa cadeia de perdição poderá ser quebrada a partir de sua própria iniciativa.

Deus sabe que o homem é egoísta… eu, e qualquer um, antes de querer andar ao lado de Cristo, imitando-o no proceder, tomados por uma nova natureza éramos amantes de nós mesmos, fascinados pelo dinheiro, egoístas por natureza:

"Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros." (Paulo, em Tito 3 : 3)

Sociedade individualista? Mercenária? eu não me assusto… posso ficar chateado com tantas notícias ruins que ouço, sabendo que são decorrência do amor ao dinheiro, do individualismo, mas, essa chateação me leva para uma posição de luta, em nome de Jesus, a começar em minha própria postura, diante das posições, aparentemente imutáveis de um mundo que jaz em sentimentos malignos, disfarçados sob uma capa de rótulo “relatividade”

" E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" [Jesus, em Lucas 18 : 7 e 8]

Encontrará ao menos a minha fé, se eu ainda estiver aqui.
morrei para mim mesmo.
Não assumirei atitudes egoísticas, mesmo que lançadas como tentativa de influência vindas de pessoas próximas a mim.
Você é tudo que eu tenho.
Tu me salvaste, a quem temerei?
Pensam que sou assim, manso, talvez ingênuo, de mim mesmo, e atacam a mim…
mas, é o Senhor quem me fez assim, simples como as pombas.
Se, por causa disso terei de sofrer,
sofrerei, como preço de servir àquele que necessita: ao doente, ao preso, ao órfão, à viúva.
quero ter tempo para eles, pois sei que ter tempo para eles é ter tempo para ti, OH! Deus!

Quem quiser seguir a Jesus, tem que MORRER!
NEGUE-SE A SI MESMO, TOME A CADA DIA SUA CRUZ E SIGA-0!

"E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me." (Jesus, em Lucas 9 : 23)

Individualismo… que palavrinha…. com sete sílabas. porém, são estas sete sílabas, unidas, trabalhando em equipe, cadenciadas, sem ter inveja uma das outras, que formam mais uma palavra de nosso vocabulário. Palavra esta que deve denotar algo que devemos aborrecer sempre

O MUNDO ESTÁ CARENTE DE “NÃOS”

(autor: Karina dos Santos Cabral, adaptado)

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… Nada? Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: “ela não quis falar comigo”. A garota disse não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não. Seu desejo era mais importante.
Não quero ser mais um desses psicólogos de araque que infestam os programas vespertinos de televisão, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.

Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha. Faltou outros pais dizerem que NÃO iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, já tinha escapado com vida. Faltou a polícia dizer NÃO ao próprio planejamento errôneo de mandar a garota de volta pra lá. Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. NÃO. Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Dizer sim é mais fácil, é mais cômodo… menos responsável…Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer não às esposas ). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros. Talvez alguns não cheguem a seqüestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem, “não posso traumatizar meu filho”. E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho. Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos. Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei. Não, você não vai passar a madrugada na rua. Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação. Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos. Não, essas pessoas não são companhias pra você. Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. Não, aqui não é lugar para você ficar. Não, você não vai faltar na escola sem estar doente. Não, essa conversa não é pra você se meter. Não, com isto você não vai brincar. Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS crescem sem saber que o mundo não é só deles. E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Se entregam à prostituição. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E daí por diante.
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranqüilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.

Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade. E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento.

Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.